Capital de giro – Um sério problema nas empresas brasileiras

Desde a década de 1990, a publicação na Revista Exame das 500 Maiores Empresas Brasileiras, editada pela Editora Abril e coordenada por Stephen Kanitz, vem demonstrando que um dos maiores problemas das empresas brasileiras é a falta de CAPITAL DE GIRO. São duas as principais causas desta deficiência:

1. A alta carga tributária brasileira

Em 2019, a carga tributária brasileira atingiu 35,17 % do PIB nacional, superada somente por Cuba, no Caribe.

Em 1993, o percentual era de 25,80 % e em 1996 saltou para 29,10 %. O acréscimo nesse período foi de 12,79 %. Isto teve origem na decisão política de “financiar os gastos públicos com o aumento de impostos”, uma aberração, porque retira recursos do ciclo produtivo para gastos improdutivos. Temos aqui a primeira visão da filosofia socialista.

Além do aumento da carga tributária, o governo sistematicamente vem encurtando os prazos de recolhimento dos tributos, obrigando as empresas a financiar seus gastos antes de receber a receita de suas vendas.

2. Empresas familiares

A maioria das empresas brasileiras são de estrutura familiar. Antes que alguém interprete esta afirmação como depreciativa, convém salientar que se faz aqui referência à maneira como, geralmente, foram criadas estas empresas, ou seja, de forma humilde e com poucos recursos.

Se somarmos a causa número um, aliada à dificuldade de financiamentos adequados para aquisição de máquinas e equipamentos, facilmente podemos entender o problema.

Enumeradas as causas da deficiência de CAPITAL DE GIRO, vamos ilustrar sua formação, de forma simples e didática:       

PATRIMÔNIO LÍQUIDO
(  – ) ATIVO PERMANENTE
( = ) CAPITAL DE GIRO (C.G.)

Verificamos então que a melhora do CAPITAL DE GIRO se dá através do Lucro não Distribuído (aumento do Patrimônio Líquido) ou da redução do Ativo Permanente.

O CAPITAL DE GIRO é utilizado para atender à NECESSIDADE DE CAPITAL DE GIRO (N.C.G.), que possui a seguinte composição:

CLIENTES
( + ) ESTOQUES
( –  ) FORNECEDORES
( –  ) OBRIGAÇÕES FISCAIS, TRABALHISTAS, ETC
( = ) NECESSIDADE DE CAPITAL DE GIRO (N.C.G.)

Essa equação indica as medidas que podem serem adotadas para diminuir a N.C.G.

Diante do exposto, e de forma simples, podemos afirmar que se o CAPITAL DE GIRO for maior que a NECESSIDADE DE CAPITAL DE GIRO, a empresa terá aplicações financeiras, figurando estas aplicações em seu Ativo Circulante. Caso contrário, terá dívidas de suplementação de CAPITAL DE GIRO figurando em seu Passivo Circulante.

Adelino Colombo
Sócio-Consultor da Colombo Consultoria Empresarial, Assessoria do SINDIMETAL RS, na área de Controladoria e Contabilidade.
Artigo publicado no Espaço SINDIMETAL 82

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