Back to top

Falando sobre Sustentabilidade e Consumo

Sustentabilidade e Consumo

Sustentabilidade, segundo Gro Harlem Brundtland, “significa suprir as necessidades do presente, sem alterar as necessidades das gerações futuras de suprir as próprias necessidades”. 

A sociedade está inserida em um contexto social e econômico muito dinâmico, que demanda cada vez mais recursos e meios, que promovam o seu bem-estar, educação, saúde, segurança, trabalho, urbanização, mobilidade e estilo de vida, atendendo assim um equilíbrio social. É fato, que este modelo de sociedade, assim como o crescimento populacional, traz consigo grandes desafios, necessários para equilibrar esta equação junto à sustentabilidade, garantindo a qualidade de vida das gerações futuras. Embora o tema tenha amplitude, cabe ressaltar, no que tange aos recursos naturais, que a humanidade consome anualmente 1,7 vezes o que o planeta Terra tem condições de repor, ou seja, geramos um déficit anual de 0,7 no globo terrestre. 

Felizmente, com a crescente importância das fontes de Big Data e sua confiabilidade no estudo dos atuais processos de desenvolvimento urbano, surgem novas possibilidades no planejamento urbano das cidades ou regiões, através da análise do comportamento humano. 

Avaliando de forma mais específica a relação entre sustentabilidade e consumo, chegamos a evidente conclusão de que somos induzidos a consumir em excesso. Renovamos nossos bens com mais frequência que no passado, seja por razões tecnológicas, design, moda, tendência ou necessidade cotidiana. Basta relembrar o passado para perceber com que periodicidade nossos pais trocavam aparelhos de televisão; o carro; ou compravam um vestuário novo. Provavelmente, era fato raro. Literalmente vivemos em uma dinâmica muito acelerada. Este fator é fortemente influenciado pela facilidade de acesso às informações, bem como as interações diárias, que geram um círculo vicioso, impulsionando a necessidade de consumir. 

Este cenário, ou roda viva, submete as empresas a um constante aprimoramento dos seus métodos produtivos. Desafia a forma de gestão, inovando em todas as direções. Afinal, no mundo globalizado, temos um ambiente altamente competitivo, que exige uma capacidade adaptativa e um redirecionamento de ações de forma muito rápida e flexível. Posta esta análise ou reflexão, é primordial a inclusão e priorização da palavra sustentabilidade em nossos modelos de gestão, assim como há alguns anos esteve em evidência a certificação ISO. 

AVANÇOS - A modernização digital nas empresas, através da Indústria 4.0, automação e não dependência humana com o uso da robotização e da inteligência artificial nos processos, avança a passos largos. Sem chances de recuar, é cada vez mais necessária. Porém, aliada a isto, é imprescindível que a sustentabilidade esteja presente no nosso dia a dia e inserida nestes novos conceitos de gestão, garantindo que seja habitual, bem como contextualizada no pensamento corporativo. 

Embora a sustentabilidade tenha abrangência extremamente ampla, muitas empresas já perceberam claramente seu grau de relevância. Do presente para o futuro, vão além de apenas utilizar como um slogan publicitário, promovendo suas marcas, mas dedicam parte do seu orçamento a desenvolver boas práticas, direcionadas aos modelos de produção sustentáveis (mais eficientes em todos os sentidos), além de desenvolver produtos sob este conceito. Os carros elétricos são talvez o exemplo mais evidente disso, ou seja, quem não dispor desta tecnologia, em alguns anos, ou tiver a sustentabilidade em sua cartilha de gestão, estará fora do mercado. 

É importante ressaltar que existe uma forte tendência, que irá valer para todas as empresas ou segmentos. Nesta ótica, sustentabilidade significará evidência, não uma necessidade, mas sim um pré-requisito, talvez uma credencial, baseada em critérios de avaliação e homologação para quem sabe obter um selo de empresa sustentável, muito além daquilo que existe atualmente.  

Nós do SINDIMETAL RS, entidade forte e representativa de uma classe empresarial, que ocupa liderança de ações e métodos aplicados à indústria moderna e eficiente, podemos ser porta voz deste assunto. Uma possibilidade é amplificando seu conceito e importância para os nossos pares do meio industrial, assim como junto aos jovens, através de escolas ligadas, por exemplo, aos programas do SESI e SENAI. 

Ainda que complexo e fora do radar, dadas outras prioridades conhecidas, é importante que nossos governantes tenham conhecimento sobre o assunto e possam incentivar o avanço de práticas sustentáveis em todos os segmentos empresariais e da sociedade. Isto requer cuidado em sua aplicação, por parte do setor público, pois de forma alguma pode dificultar ainda mais o dia a dia das nossas empresas, que estão assoberbadas em meio aos complicados requerimentos fiscais atuais. 

Certamente no Brasil este assunto ainda precisa ser amplamente discutido. O Estado, em todos os seus níveis, necessita revisar as suas ações, visando facilitar o crescimento sustentável das indústrias, assim como do seu povo e de si próprio, considerando as crescentes expectativas de consumo. Talvez tenhamos chegado num divisor de águas. Cabe refletir e agir proativamente sobre o tema.

Vitor Fabiano Ledur
Vice-Presidente do SINDIMETAL RS
Espaço SINDIMETAL n° 72