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Brasil: mais Nação, menos Ideologia

Brasil: mais Nação, menos Ideologia

A gestão 2004, do SINDIMETAL RS, estabeleceu o seu primeiro Planejamento Estratégico, talvez o primeiro entre os sindicatos do Brasil, e já projetava, nas suas discussões, o País que se esboçava. Foram estabelecidos ali princípios e ações acautelatórias e proativas, na visão dos interesses de seus associados e para o consequente fortalecimento da entidade. No decorrer dos anos, até 2016, as gestões subsequentes, promoveram adequações, intensificações e/ ou minimizações das ações, conforme os fatos e as projeções se apresentavam.

Nos anos 2017 e 2018, nos enclausuramos e nos movemos somente em casos de efetiva necessidade e possibilidade. Período este de extrema insegurança, com falta total de previsibilidade, não encontrávamos o famoso “número, entre 8 e 80”. O recuo era estratégico e necessário. Permanecemos parados? Não! Já tínhamos estabelecido a necessidade de uma renovação na direção do SINDIMETAL RS, portanto a estes caberia a revisão desde a base original, de 2004, do Planejamento Estratégico. Complemento, daquele só participaram duas pessoas, as quais poderiam contribuir no resgate dos fundamentos da sua criação. A ingerência deste que vos escreve, foi zero. O Planejamento Estratégico para os anos vindouros, a partir de 2019, já está aprovado e, acima de tudo, lastreado em cenários melhor definidos. Encaminhamos a nossa rota, e ela é positiva.

Permito-me agora uma analogia, desculpem-me pela ousadia da comparação, normalmente odiosas. Em 1989, o Congresso promulgou a nova constituição brasileira. A grande discussão à época, principalmente no meio empresarial e da classe média, era de qual seria o sistema de governo mais adequado para o Brasil.

Prevalecia o entendimento do sistema de governo parlamentarista, mas a política e os políticos à época modificaram a estrutura ao final para o sistema presidencialista; virou uma colcha de retalhos. Não bastasse, a visão democrática vigente encaminhou-se para os direitos individuais, aí sim liberdade transformou-se em liberalidade, esqueceram-se das obrigações e num contrato garantiu-se o “mundo sem indicar os fundos”. A classe política, por óbvio, fortaleceu-se e finalmente promulgou a “Constituição Cidadã”. A nossa colcha virou “patchwork”.

Deu no que deu. Os impostos dispararam. O Estado engoliu a Nação, desenvolveu-se o autismo estatal, aprimorou-se a autocracia e a necessidade voraz de recursos para sustentar o poder centralizador, captador, a máquina corporativa do funcionalismo público e a estrutura estatal. Ambiente pródigo para os amigos do “Rei”.

A reação: a sociedade brasileira empunhando tão somente a bandeira azul e amarela, sem cores partidárias, principalmente representadas pela classe média, sempre ela, saiu às ruas em 2013. Mostrou ao Estado que a Nação é prevalente, soberana e determinante nos anseios do povo. Exigindo que o Estado se limite, assumindo os verdadeiros objetivos a ele designados: 1) Saúde, 2) Segurança, 3) Educação e 4) Justiça. Simples assim. O Estado nos seus alicerces, entendido aí Executivo, Legislativo e Judiciário transformou-se numa orquestra autista e mouca, a tal ponto que não ouviram a plateia vaiando, em 2013. Ao contrário, submeteram como sendo um movimento das elites e da grande imprensa. Quando na verdade a grande imprensa, o quarto poder, além de completamente infiltrada, estava devidamente arregimentada pelo Estado.

A nação refloresceu, nas eleições de 2018, resgatando a ideia de analogia, antes mencionada. Vivemos um momento de riscos, mas acima de tudo de oportunidades. A nação somos nós, obrigatoriamente devemos nos alinhar e sermos proativos. Entenda-se “nós” por pessoa física, jurídica e entidades representativas. Fortalecendo o SINDIMETAL RS teremos uma bandeira forte para se fazer ouvir, representar e proativar em                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        esferas superiores. Devemos formar, desenvolver e apoiar novas lideranças. Nos últimos tempos o Estado esmagou a esperança das pessoas com tal potencial. Chegou a hora da revanche.

O Planejamento Estratégico de 2004, com a renovação realizada em 2018, com certeza irá contribuir não somente com o SINDIMETAL RS, mas com os interesses da Nação. A entidade se mantém alinhada e consciente da nova realidade da sua base associada.

Não temos a pretensão de sermos o 4º, 5º, 6º ou milésimo poder, mas sim integrantes e contribuintes com a Nação. Devemos potencializar ações nas quais já participamos SESI e SENAI, com vocações agora bem definidas e voltadas para a saúde e educação. Agora aqui no Estado, recentemente aprovou-se uma lei na qual podemos destinar parte do ICMS para a segurança estadual. Por fim, ativamos e cobramos dos nossos representantes, recentemente eleitos, para comporem o Congresso Nacional, com o fim de estabelecerem leis claras, definitivas e consentâneas com a realidade da necessária segurança.   

Este é o momento de participarmos, cobrarmos e valorizarmos os sindicatos, associações, federações e confederações patronais. Para tal também se fazem prementes o apoio e desenvolvimento de novas lideranças. Até neste aspecto o SINDIMETAL RS está engajado, temos um novo presidente.

O presidente Sergio Galera, com sua nova e reestruturada diretoria, está devidamente enquadrado nesta visão e consciente da necessidade de racionalidade e compartilhamento com os sindicatos coirmãos da região, sendo igualmente sabedor da relevância do SINDIMETAL RS dentro do Estado. 

É Sergio, toca aí, tudo contigo e a diretoria.

A todos que nos leem, especialmente associados, desejamos um Feliz Natal e um alvorecer, com muita fé e esperança, de um profícuo e próspero Ano Novo.         

Com enorme felicidade despeço-me do cargo, agradecido pelo apoio recebido, dos associados, das assessorias, das entidades coirmãs, do Sistema Indústria RS e com um caloroso abraço aos funcionários do SINDIMETAL RS.                                                                                                                                    
 
 

Raul Heller
Presidente SINDIMETAL RS
Gestão 2003-2018